Frases & Reflexões

7 frases de Ariano Suassuna além do famoso “oxente”

Todas as listas param no “não troco meu oxente pelo ok de ninguém”. Reunimos sete frases de Ariano Suassuna que circulam pouco — sobre riso, morte e velhice.

Ilustração artística em tons terrosos evocando o sertão nordestino, com elementos de cordel, xilogravura e um cavalo estilizado ao fundo

Ariano Suassuna dizia ter duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: “o riso a cavalo e o galope do sonho”. Essa frase quase nunca aparece nas listas, que costumam parar no “não troco o meu ‘oxente’ pelo ‘ok’ de ninguém!”. Reunimos sete falas do escritor paraibano que circulam pouco e dizem muito sobre humor, teimosia e o jeito dele de olhar o Brasil. Você vai reconhecer o tom — as frases, provavelmente não.

1. Sobre lutar contra o desespero

“Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho.” Frase repetida por Ariano Suassuna ao longo de décadas, em entrevistas e aulas-espetáculo

Repare no verbo: ele não diz que evita o desespero, diz que luta contra ele — como quem sobe num cavalo para uma briga que sabe que vai perder algumas vezes. É a chave de leitura para entender por que um autor tão ligado à tragédia popular nordestina também é, na prática, um dos escritores brasileiros mais engraçados.

2. Sobre discordar dos outros

“A humanidade se divide em dois grupos, os que concordam comigo e os equivocados.” Folha de S.Paulo, caderno Ilustrada, 31 de julho de 2000

Dita numa entrevista de jornal, a piada funciona porque é autoirônica primeiro e arrogante depois — ele zomba do próprio hábito de discutir política, arte e futebol com convicção total. Suassuna era famoso por polemizar em público, e essa frase é praticamente um aviso de manual antes da discussão começar.

3. Sobre arte e mercado

“Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.” Revista Veja, julho de 1996

Ele deu essa resposta décadas antes de “conteúdo” virar palavra de planilha de marketing. Na prática, defendia a mesma coisa desde a fundação do Movimento Armorial, em 1970: recusava adaptar sua obra a modismos de mercado.

4. Sobre não fingir gostar do que não gosta

“Jamais falei mal de Molière, mas querer que eu aceite Elvis Presley já é demais.” Revista IstoÉ, 28 de dezembro de 2005

A frase rende risada, mas carrega um argumento sério por trás: Suassuna defendia a hierarquia entre erudito e popular sem culpa, numa época em que já se cobrava do intelectual brasileiro fingir gostar de tudo por igual. Ele preferia dizer, sem meio-termo, o que considerava raso.

5. Sobre otimismo e pessimismo

“Os otimistas são ingênuos, os pessimistas são amargos, mas vale ser um realista esperançoso.” Revista Preá, nº 14, setembro-outubro de 2005

“Realista esperançoso” virou a expressão que resume Suassuna depois de morto — usada até em título de reportagem sobre ele. A ideia central é simples de aplicar: encarar o problema como ele é, sem maquiagem, e mesmo assim continuar de pé.

6. Sobre fé e razão

“É preciso mais fé para acreditar na evolução do que na história de Adão e Eva.” Aula-espetáculo no Tribunal Superior do Trabalho, 18 de abril de 2012

Suassuna era católico praticante e não escondia isso, mas gostava de provocar plateias com esse tipo de frase de efeito. Não é uma tese científica — é retórica de palco, pensada para incomodar tanto quem tem fé cega quanto quem despreza qualquer fé.

7. Sobre por que não dava “aula-show”

“Eu não dou ‘aula-show’. Dou ‘aula-espetáculo’! Show, na minha terra, é interjeição de espantar galinha.” Aulas-espetáculo pelo Brasil, reunidas no livro Lições de Realismo Esperançoso, organizado por Carlos Newton Júnior (Nova Fronteira)

Essa é a irmã menos famosa do “oxente”: mesma implicância com estrangeirismo, mesmo humor de matuto. Suassuna corrigia jornalistas ao vivo quando chamavam suas palestras de “show” — para ele, a palavra em inglês soava tão deslocada no sertão quanto um terno em dia de São João.

Se você gosta desse tipo de garimpo, 7 Frases de Machado de Assis Que Ele Realmente Escreveu segue o mesmo método: só o que tem fonte, sem lenda de internet.

Sete frases fora do “oxente” e ainda sobra Suassuna para outro artigo — o homem deu entrevista, aula e polêmica por quase seis décadas. A regra continua a mesma: frase redonda demais, repetida por página sem fonte nenhuma? Desconfie antes de compartilhar.


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Perguntas frequentes

Quais são as frases de Ariano Suassuna mais conhecidas além do 'oxente'?

Além de 'não troco o meu oxente pelo ok de ninguém', Suassuna deixou frases documentadas sobre humor ('a humanidade se divide em dois grupos'), arte ('arte pra mim não é produto de mercado'), otimismo ('realista esperançoso') e fé, ditas em entrevistas a revistas e em suas aulas-espetáculo pelo Brasil.

Ariano Suassuna realmente dizia 'não troco meu oxente pelo ok de ninguém'?

Sim, é a frase mais repetida por ele em público, presente em dezenas de entrevistas e nas aulas-espetáculo que deu por décadas. Por ser tão repetida, viramos o foco deste artigo para outras falas dele, menos exploradas.

O que era a 'aula-espetáculo' de Ariano Suassuna?

Era o formato de palestra que ele criou nos anos 1990, misturando literatura, música, humor e causos populares, sempre recusando o termo 'aula-show' — ele fazia questão de dizer que 'show' era usado no sertão para espantar galinha.

Quando Ariano Suassuna morreu?

Ariano Suassuna morreu em 23 de julho de 2014, em Recife, aos 87 anos. Nascido em João Pessoa em 1927, ele havia crescido no sertão paraibano, cenário que atravessa toda a sua obra.

O que foi o Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna?

Foi um movimento cultural fundado por Suassuna em 1970, em Recife, que buscava criar uma arte erudita brasileira a partir de raízes populares nordestinas — cordel, xilogravura, teatro de mamulengo e música de viola.

Wanderley Amorim

Wanderley Amorim · Editor-chefe

Editor-chefe da Revista Destaque. Especialista em cultura pop, tecnologia e tendências digitais desde 2024. Pesquisa e verifica citações históricas antes de publicar.

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