7 frases de Ariano Suassuna além do famoso “oxente”
Todas as listas param no “não troco meu oxente pelo ok de ninguém”. Reunimos sete frases de Ariano Suassuna que circulam pouco — sobre riso, morte e velhice.
“As invenções são o resultado de um trabalho teimoso” — e mais 6 frases documentadas de Santos Dumont, com o contexto em que cada uma foi dita.
Santos Dumont resumiu o próprio método numa frase seca: “As invenções são, sobretudo, o resultado de um trabalho teimoso.” É a mais conhecida das sete aqui — e também a mais mansa. Nas outras, aparece o inventor que se encantou com o voo e depois passou os últimos anos pedindo ao mundo que não transformasse o avião em arma. Cada frase vem com o contexto em que foi dita.
“Sempre acreditei que o inventor deve trabalhar em silêncio; as opiniões estranhas nunca produzem nada de bom.” O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos, 1918
Ele escreveu isso lembrando os anos em que testava dirigíveis em Paris, ignorando os palpites de quem duvidava do projeto. Não é timidez: é método. Enquanto rivais discutiam teoria em salões, Santos Dumont estava no hangar, ajustando motor a petróleo.
“A guerra do futuro se fará por meio de cruzadores aéreos rápidos que atingirão alturas inacessíveis, e bombardeando à maneira deles fortes, exércitos e seus navios.” Artigo na revista francesa Je sais tout, 1905, citado em O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos, Parte II
Publicada em 1905, seis anos antes do primeiro bombardeio aéreo da história (lançado por um piloto italiano na Guerra Ítalo-Turca, em 1911) e quase uma década antes de esse tipo de ataque virar rotina na Primeira Guerra Mundial. Militares da época riram do texto. Santos Dumont respondeu, anos depois, com uma frase curta: “Quem viver, porém, verá.”
“Nós, os fundadores da locomoção aérea no fim do século passado, tínhamos sonhado um futuroso caminho de glória pacífica (…) nunca, porém, nos veio à idéia que eles pudessem desempenhar funções destruidoras nos combates.” O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos, 1918
Escrita já sob o peso da Primeira Guerra, essa passagem contrasta com a de 1905. Ali, ele havia previsto o bombardeio aéreo como possibilidade técnica; aqui, confessa que jamais imaginou aceitar aquilo como destino. As duas frases juntas mostram um homem tentando entender como a própria lucidez virou profecia contra ele mesmo.
“Meu Deus! Meu Deus! Não haverá meio de evitar derramamento de sangue de irmãos? Por que fiz eu esta invenção que, em vez de concorrer para o amor entre os homens, se transforma numa arma maldita de guerra? Horrorizam-me estes aeroplanos que estão constantemente pairando sobre Santos.” Relato do amigo José de Oliveira Orlandi, em Vencendo o Azul, 1935
Dias antes de morrer, Santos Dumont via aviões de combate sobrevoando a cidade de Santos, durante a Revolução Constitucionalista — que começou em 9 de julho de 1932, duas semanas antes de sua morte. Ligou para o amigo Orlandi em desespero. É a frase mais dura da lista — e a que explica por que ele passou os últimos anos tentando desfazer, com cartas e propostas, o que tinha começado com um dirigível sobre Paris.
“Estou disposto a oferecer, em concurso, um prêmio de 10 mil francos para o melhor trabalho sobre a interdição das máquinas aéreas como arma de combate e de bombardeio.” Revista Caras, 13 de setembro de 2006
Não foi um gesto simbólico. Em 1926, Santos Dumont usou o amigo Afrânio de Melo Franco, então embaixador do Brasil junto à Liga das Nações, para levar à organização o apelo pela proibição de aviões de guerra — e ofereceu esse prêmio do próprio bolso como parte da mesma iniciativa, para estimular um trabalho jurídico contra o uso militar da aviação. Não teve resultado prático.
“Eu não quero tirar em nada o mérito dos irmãos Wright, por quem tenho a maior admiração; mas é inegável que, só depois de nós, se apresentaram eles com um aparelho superior aos nossos.” O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos, 1918
A disputa sobre quem voou primeiro — Santos Dumont em Paris ou os irmãos Wright na Carolina do Norte — segue sem consenso internacional até hoje. Vale reparar no tom dessa frase: ele reconhece o mérito alheio antes de defender o próprio, algo raro em disputas de prioridade científica.
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Política da Revista Destaque: toda citação publicada aqui tem fonte documentada. Quando uma frase popular é de atribuição incerta, avisamos o leitor. Saiba mais na nossa política editorial.
“As invenções são, sobretudo, o resultado de um trabalho teimoso” é a mais repetida. Ele escreveu isso no livro 'O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos', de 1918, ao falar do próprio método de trabalho.
Nos últimos anos de vida, sim, ao ver a aviação usada como arma. Em 1932, desabafou por telefone com o amigo José de Oliveira Orlandi, horrorizado com aviões de combate sobrevoando Santos. O relato está no livro de Orlandi, 'Vencendo o Azul' (1935).
Sim, e antes de qualquer conflito aéreo real. Em artigo publicado na revista francesa Je sais tout, em 1905, ele escreveu que 'a guerra do futuro se fará por meio de cruzadores aéreos' que bombardeariam fortes, exércitos e navios — quase uma década antes da Primeira Guerra Mundial.
A fonte primária é o próprio livro dele, 'O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos' (1918), disponível gratuitamente no Internet Archive. Também há registros em biografias de contemporâneos, como a de José de Oliveira Orlandi.
Aida Pich · Colaboradora sênior
Colaboradora sênior da Revista Destaque. Especialista em cultura, memória pop das décadas passadas e grandes personagens da história.
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