9 Objetos dos Anos 80 e 90 Que Só Quem Viveu Reconhece
Da fita cassete rebobinada com caneta Bic ao orelhão de ficha: uma viagem pelos objetos que definiram uma geração.
Rolimã, pião, elástico, corre-cotia: relembre as brincadeiras que transformavam a rua em parque e reuniam a garotada até o escurecer.
O cheiro de terra molhada depois da chuva, o barulho do pião zumbindo no asfalto, as pernas riscadas de giz da amarelinha. Quem cresceu nos anos 70 e 80 no Brasil sabe que a rua era muito mais do que um lugar para passar — era o quintal coletivo de toda a vizinhança. Confira 8 brincadeiras que marcaram essa geração.
Montado com tábuas de madeira, caixotes e os rolamentos (“rolimãs”) retirados de rodas de caminhões ou bicicletas velhas, o carrinho de rolimã era artesanato e engenharia ao mesmo tempo. Cada um tinha o seu modelo, mais rápido ou mais resistente, e as descidas de rua viravam corridas acirradas. Não tinha motor, não tinha freio confiável — a diversão e o perigo andavam juntos.
Torneio de pião era coisa séria. O brinquedo de madeira torneada, com ponta de metal, precisava ser enrolado com um cordão fino no jeito certo para girar com força e estabilidade. Havia duas modalidades principais: fazer o pião durar mais tempo girando ou usá-lo para “matar” o pião do adversário dentro de uma roda desenhada no chão. Piões com a ponta mais afiada valiam ouro.
O nome mudava conforme a região — pipa em muitas cidades, arraia no Rio, papagaio em São Paulo e pandorga no Rio Grande do Sul — mas a obsessão era a mesma em todo o Brasil. A linha com cerol, uma mistura de cola com vidro moído, transformava uma guerra de pipas em esporte de contato. O objetivo era cortar a linha do adversário e gritar “pipa-caiu!” para quem tivesse sorte de recuperar a pipa caída.
Dois participantes seguravam o elástico nas pernas enquanto um terceiro pulava, executando sequências cada vez mais difíceis, com o elástico subindo de tornozelos para joelhos e depois para a cintura. Brincadeira com regras rigorosas, criadas pelas próprias crianças, que variavam de rua para rua. Quem errasse a sequência tomava o lugar de quem estava segurando o elástico.
Também chamada de “lenço atrás” ou “lencinho branco” em algumas regiões, a brincadeira reunia toda a turma em roda. Uma criança circulava por fora, escondendo um lenço atrás de alguém distraído. Se a pessoa não percebesse a tempo, precisava correr para não ser pega antes de sentar no lugar vazio.
Cinco pedras, cinco rodadas, uma lógica elegante. A brincadeira usava pedras ou sementes recolhidas na rua e exigia coordenação fina: jogar uma pedra para cima e pegar as outras do chão antes que ela voltasse. A dificuldade aumentava a cada rodada. Em outras versões, a brincadeira usava sementes, ossinhos ou saquinhos de tecido cheios de areia ou arroz. Nenhuma peça comprada era necessária.
Parente distante do beisebol, o taco brasileiro usava um pedaço de madeira aparado nas duas pontas (o “taco”), um pau comprido para rebater e uma caixa ou buraco no chão como base. O batedor precisava rebater o taco lançado para o alto pelo adversário e correr para a base. A variante regional chamada “bets” tinha regras ligeiramente diferentes, mas a essência era a mesma: força, reflexo e muita negociação sobre o que era “falta”.
Simples e universal, a amarelinha atravessa décadas sem perder o apelo. Desenhada com giz nas calçadas de paralelepípedo, exigia equilíbrio para pular em um pé só pelas casas numeradas e arremessar a pedrinha (chamada de “macaca” em algumas regiões) sem pisar nas linhas. A versão brasileira costumava ter o “céu” e o “inferno” nas extremidades — metáfora que nenhuma criança parava para analisar, mas todo adulto entende agora.
Essas brincadeiras não precisavam de bateria, Wi-Fi ou instruções. Precisavam de rua livre, um grupo de crianças e criatividade para inventar regras a cada tarde. A maioria foi passada de geração em geração sem nunca ter sido escrita em nenhum lugar — só na memória de quem viveu.
Qual dessas brincadeiras você mais lembra da sua infância? Tem alguma que ficou de fora da lista? Conta nos comentários — cada região do Brasil tem a sua versão especial.
Quer mais conteúdo de nostalgia? Veja outros artigos da nossa editoria Nostalgia & Curiosidades.
As mais comuns eram pião, pipa, carrinho de rolimã, pular elástico, amarelinha, corre-cotia, cinco marias e taco. A maioria podia ser feita com materiais simples ou até só com espaço livre na rua.
A brincadeira ainda aparece em eventos culturais e oficinas de brinquedos populares. O nome popular vem dos rolamentos usados na montagem do carrinho, e a origem do termo é associada ao francês 'roulement'.
A combinação de menos entretenimento digital, mais convivência de bairro e ruas residenciais com menos carros tornava a rua um ponto natural de encontro da garotada.
É uma brincadeira de roda em que uma criança fica fora do círculo e vai deixando um lenço atrás de alguém sem que a turma perceba. Quem for 'marcado' precisa correr para não ser pego antes de sentar no lugar vazio.
Anna Amorim · Colaboradora especializada
Colaboradora da Revista Destaque. Enfermeira e contadora, escreve sobre curiosidades, comportamento e bem-estar com olhar prático de mãe multitarefa.
Da fita cassete rebobinada com caneta Bic ao orelhão de ficha: uma viagem pelos objetos que definiram uma geração.
Parece conta de subtração, mas é armadilha de leitura. Veja a charada que está dividindo opiniões nos grupos de família e a resposta certa.
A internet inventa frases de Clarice todo dia. Estas 7 são reais, com livro e página — e uma famosa que ela nunca escreveu.