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8 Brincadeiras de Rua dos Anos 70 e 80 Que Só Quem Viveu Conhece

Rolimã, pião, elástico, corre-cotia: relembre as brincadeiras que transformavam a rua em parque e reuniam a garotada até o escurecer.

Crianças brincando na rua de bairro brasileiro dos anos 80, com pião, pipa colorida no céu e calçadas de paralelepípedo ao entardecer

O cheiro de terra molhada depois da chuva, o barulho do pião zumbindo no asfalto, as pernas riscadas de giz da amarelinha. Quem cresceu nos anos 70 e 80 no Brasil sabe que a rua era muito mais do que um lugar para passar — era o quintal coletivo de toda a vizinhança. Confira 8 brincadeiras que marcaram essa geração.

1. Carrinho de rolimã

Montado com tábuas de madeira, caixotes e os rolamentos (“rolimãs”) retirados de rodas de caminhões ou bicicletas velhas, o carrinho de rolimã era artesanato e engenharia ao mesmo tempo. Cada um tinha o seu modelo, mais rápido ou mais resistente, e as descidas de rua viravam corridas acirradas. Não tinha motor, não tinha freio confiável — a diversão e o perigo andavam juntos.

2. Pião

Torneio de pião era coisa séria. O brinquedo de madeira torneada, com ponta de metal, precisava ser enrolado com um cordão fino no jeito certo para girar com força e estabilidade. Havia duas modalidades principais: fazer o pião durar mais tempo girando ou usá-lo para “matar” o pião do adversário dentro de uma roda desenhada no chão. Piões com a ponta mais afiada valiam ouro.

3. Pipa (ou papagaio, ou arraia)

O nome mudava conforme a região — pipa em muitas cidades, arraia no Rio, papagaio em São Paulo e pandorga no Rio Grande do Sul — mas a obsessão era a mesma em todo o Brasil. A linha com cerol, uma mistura de cola com vidro moído, transformava uma guerra de pipas em esporte de contato. O objetivo era cortar a linha do adversário e gritar “pipa-caiu!” para quem tivesse sorte de recuperar a pipa caída.

4. Pular elástico

Dois participantes seguravam o elástico nas pernas enquanto um terceiro pulava, executando sequências cada vez mais difíceis, com o elástico subindo de tornozelos para joelhos e depois para a cintura. Brincadeira com regras rigorosas, criadas pelas próprias crianças, que variavam de rua para rua. Quem errasse a sequência tomava o lugar de quem estava segurando o elástico.

5. Corre-Cotia (ou corre-cutia)

Também chamada de “lenço atrás” ou “lencinho branco” em algumas regiões, a brincadeira reunia toda a turma em roda. Uma criança circulava por fora, escondendo um lenço atrás de alguém distraído. Se a pessoa não percebesse a tempo, precisava correr para não ser pega antes de sentar no lugar vazio.

6. Cinco Marias

Cinco pedras, cinco rodadas, uma lógica elegante. A brincadeira usava pedras ou sementes recolhidas na rua e exigia coordenação fina: jogar uma pedra para cima e pegar as outras do chão antes que ela voltasse. A dificuldade aumentava a cada rodada. Em outras versões, a brincadeira usava sementes, ossinhos ou saquinhos de tecido cheios de areia ou arroz. Nenhuma peça comprada era necessária.

7. Taco (ou bets)

Parente distante do beisebol, o taco brasileiro usava um pedaço de madeira aparado nas duas pontas (o “taco”), um pau comprido para rebater e uma caixa ou buraco no chão como base. O batedor precisava rebater o taco lançado para o alto pelo adversário e correr para a base. A variante regional chamada “bets” tinha regras ligeiramente diferentes, mas a essência era a mesma: força, reflexo e muita negociação sobre o que era “falta”.

8. Amarelinha

Simples e universal, a amarelinha atravessa décadas sem perder o apelo. Desenhada com giz nas calçadas de paralelepípedo, exigia equilíbrio para pular em um pé só pelas casas numeradas e arremessar a pedrinha (chamada de “macaca” em algumas regiões) sem pisar nas linhas. A versão brasileira costumava ter o “céu” e o “inferno” nas extremidades — metáfora que nenhuma criança parava para analisar, mas todo adulto entende agora.


Essas brincadeiras não precisavam de bateria, Wi-Fi ou instruções. Precisavam de rua livre, um grupo de crianças e criatividade para inventar regras a cada tarde. A maioria foi passada de geração em geração sem nunca ter sido escrita em nenhum lugar — só na memória de quem viveu.

Qual dessas brincadeiras você mais lembra da sua infância? Tem alguma que ficou de fora da lista? Conta nos comentários — cada região do Brasil tem a sua versão especial.


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Perguntas frequentes

Quais eram as brincadeiras de rua mais populares nos anos 70 e 80 no Brasil?

As mais comuns eram pião, pipa, carrinho de rolimã, pular elástico, amarelinha, corre-cotia, cinco marias e taco. A maioria podia ser feita com materiais simples ou até só com espaço livre na rua.

O carrinho de rolimã ainda existe?

A brincadeira ainda aparece em eventos culturais e oficinas de brinquedos populares. O nome popular vem dos rolamentos usados na montagem do carrinho, e a origem do termo é associada ao francês 'roulement'.

Por que as crianças brincavam mais na rua antigamente?

A combinação de menos entretenimento digital, mais convivência de bairro e ruas residenciais com menos carros tornava a rua um ponto natural de encontro da garotada.

O que é corre-cotia?

É uma brincadeira de roda em que uma criança fica fora do círculo e vai deixando um lenço atrás de alguém sem que a turma perceba. Quem for 'marcado' precisa correr para não ser pego antes de sentar no lugar vazio.

Anna Amorim

Anna Amorim · Colaboradora especializada

Colaboradora da Revista Destaque. Enfermeira e contadora, escreve sobre curiosidades, comportamento e bem-estar com olhar prático de mãe multitarefa.

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